domingo, 29 de novembro de 2020

Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável (ou Transtorno de Personalidade com Instabilidade Emocional)

 


O Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável (ou Transtorno de Personalidade com Instabilidade Emocional) é um diagnóstico psiquiátrico equivalente ao Transtorno de Personalidade Borderline pertencente ao manual de classificação CID-10 (da Organização Mundial da Saúde). O diagnóstico difere significantemente daquele do manual DSM-IV usado pela Associação Americana de Psiquiatria.

É caracterizado pela tendência a agir de modo imprevisível e impulsivo, sem consideração pela consequência; humor imprevisível e instável; tendência a acesso de cólera e incapacidade de controlar o comportamento impulsivo; tendência a adotar comportamento explosivo e a entrar em conflito com os outros, particularmente quando os atos impulsivos são contrariados ou censurados. Existem 2 Subtipos desse transtorno: impulsivo e Borderline.

 

A Classificação Internacional de Doenças - Volume 10 da Organização Mundial da Saúde divide o transtorno de personalidade emocionalmente instável (Código: F60.3) em dois subtipos: o tipo impulsivo e o tipo Borderline.

 

F60.30 – Tipo Impulsivo

1. O critério geral de transtorno de personalidade deve ser alcançado.

2. Pelo menos três dos seguintes sintomas abaixo devem estar presentes; é obrigatória a presença do sintoma B:

a. Tendência em agir impulsivamente e sem consideração com as consequências;

b. Tendência a ter um comportamento briguento e entrar em conflito com os outros, especialmente quando os atos violentos são contrariados ou criticados;

c. Tendência a explosões de ira e violência, com incapacidade de controlar os resultados subsequentes;

d. Dificuldade em manter qualquer ação que não ofereça recompensa imediata;

e. Humor instável e caprichoso.

Também é conhecido como Transtorno de Personalidade Explosivo e Agressivo.

 

F60.31 – Tipo Borderline

1. O critério geral de transtorno de personalidade deve ser alcançado.

2. Pelo menos três dos sintomas mencionados no critério 2. do Tipo Impulsivo (F60.30) devem estar presentes. Em adição, pelo menos dois dos sintomas abaixo devem estar presentes:

a. Perturbações e incertezas sobre a autoimagem, metas, preferências internas (incluindo sexualidade);

b. Tendência a se envolver em relações intensas e instáveis, sempre levando a crises emocionais;

c. Esforços excessivos para se evitar abandono;

d. Atos ou ameaças recorrentes de autolesão ou suicídio;

e. Sentimentos crônicos de vazio.

Diz respeito ao Transtorno de Personalidade Borderline propriamente dito.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

O que é TAB - Transtorno Afetivo Bipolar?


O Transtorno Afetivo Bipolar é uma doença que caracteriza-se por episódios repetidos, nos quais o humor e os níveis de atividade do paciente estão significativamente perturbados. Esta alteração consiste em algumas ocasiões, de uma elevação do humor e aumento de energia e atividade (mania ou hipomania) e em outras de um rebaixamento do humor e diminuição de energia e atividade (depressão).

Afeta cerca de 1,6% da população geral. A frequência entre homens e mulheres é semelhante, a idade de início é de 20 a 40 anos. Os episódios maníacos geralmente começam abruptamente e duram entre 2 semanas e 4-5 meses. Os episódios depressivos tendem a durar mais tempo, em média 6 meses, raramente mais de um ano.

Após o primeiro episódio, há um risco de aproximadamente 90% de o paciente ter outro episódio em algum momento de sua vida. Dentre aqueles pacientes que apresentam um episódio depressivo, há uma chance de 5 a 15% de que sejam efetivamente bipolares.

Causas:

1. Existe um componente Genético

2. Alterações cerebrais associadas a desequilíbrio de substancias intracelulares envolvidas na regulação de neurotransmissores (dopamina, noradrenalina e serotonina)

3. Alterações súbitas na estrutura ou na função de áreas cerebrais que participam da regulação do humor

Sintomas:

Nos episódios maníacos ocorre euforia, aceleração psíquica, irritação que pode levar a agressividade verbal e/ou física. Aumento de energia e redução da necessidade de sono. O pensamento é acelerado com aumento do fluxo de ideias, não consegue falar tudo que vem a mente ao mesmo tempo, não consegue manter a atenção em um único foco, faz várias coisa ao mesmo tempo e não consegue terminar. Os sentimentos podem ser de alegria exagerada e grande euforia ou agitação. Autoconfiança e otimismo extremos, sentimento de poder, influencia, inteligência e riqueza. Aumento da libido. Pode achar-se imbuído de poderes ou dons especiais.

Nos episódios hipomaníacos os sintomas são menos severos. O grau de aceleração é menor, o aumento de energia pode ser produtiva, porém a pessoa se dispersa e perde mais tempo com detalhes.

Os episódios depressivos são caracterizados por tristeza, apatia, desanimo e falta de prazer. Lentificação física e psíquica, com dificuldade de concentração levando a um raciocínio lento. O pensamento é pessimista, tem preocupações negativas, sentimento de culpa e inutilidade. O sono pode estar diminuído ou aumentado. Pensamentos de morte podem levar ao suicídio.

Qual a importância do apoio familiar ?

A família e o paciente necessitam de apoio e psicoeducação para entender o transtorno bipolar.

As Medidas psicoeducacionais tem como objetivo dotar o paciente e familiares de conhecimentos teóricos e práticos para compreender e lidar com a doença e suas consequências.

1.É importante saber as características da doença, os altos níveis de recorrência e a sua condição de cronicidade

2.Saber sobre possíveis fatores desencadeantes e ajudar o paciente a encontrar os seus próprios

3.Esclarecer sobre os medicamentos enfatizando vantagens do uso e possíveis efeitos colaterais

4.Detecção precoce dos sintomas como necessidade diminuída de sono, pensamento rápido e hiperatividade

5.Riscos de uso de drogas ilícitas

6.Orientar alimentação saudável e atividade física

7.Orientar quanto ao tratamento na Gravidez

8.Alertar sobre Risco de suicídio

9.Aprender a lidar com o estigma da doença

Qual o tratamento disponível no SUS e como conseguir os medicamentos?

O tratamento é medicamentoso e psicoterápico. A medicação mais utilizadas são os estabilizadores do humor especialmente o Carbonato de lítio que é dispensado na rede pública de saúde

O que fazer em caso de uma crise? Como agir para ajudar outra pessoa em caso de crise?

Procurar atendimento médico para avaliação e tratamento. Em casos de depressão grave com risco de vida, deve-se levar ao pronto socorro. Na mania e na hipomania é preciso convencer o paciente a tomar a medicação. Caso ele recuse deverá ser avaliado uso de medicação injetável e possível internação para estabilização do quadro.

Blog da Saúde



Raul Damasceno é psicólogo, especialista em bipolaridade
e idealizador da Página "Bipolaridade em Foco".

terça-feira, 5 de maio de 2020

Como melhorar a sua saúde mental



Um bom estado de saúde mental se caracteriza pela canalização das emoções através de pensamentos positivos. Supõe ter uma maior confiança diante dos desafios que a vida impõe e boa disposição para construir relações duradouras e de afeto mútuo com os outros.

Há indicadores de uma boa saúde mental. Entre outros, podemos citar o bom humor e a exaltação pela vida; uma disposição clara e variada ao aprendizado permanente; desejos de experimentar novidades; uma constante renovação de propósitos para a vida.

Desfrutar do tempo livre desenvolvendo atividades prazerosas e estimulantes não só amplia a nossa visão de mundo, como também nos conecta com nós mesmos e o nosso desejo de viver.

O isolamento e a solidão não são bons conselheiros, exceto quando o objetivo é ler um bom livro, fazer exercícios de meditação ou tirar um tempo para refletir sobre algo que nos preocupa profundamente.

Os estados de isolamento prolongados afetam o equilíbrio das emoções e inclusive a saúde física, a menos que você seja um mestre de meditação, ou que existam circunstâncias concretas que exijam solidão para poder realizar uma tarefa. Nos outros casos, não há razão para que esses estados se prolonguem.

O uso de certas substâncias também deteriora a saúde mental. Não devemos abusar do consumo de remédios, álcool ou tabaco. Também não devemos acreditar nos elixires que algumas drogas prometem. O melhor é evitar as substâncias que podem lesionar o sistema nervoso ou afetar o cérebro de forma negativa.

Também existem alguns hábitos cotidianos que não ajudam a manter um equilíbrio emocional e mental adequado. Ver televisão em excesso, ou por simples tédio, é algo que atordoa mais do que entretém. Cria a ilusão de estar se comunicando com outros, mas ao mesmo tempo isola a pessoa do convívio social.

A primeira coisa a fazer é promover o cuidado do seu corpo. Nada mais certo do que a frase “corpo são, mente sã”. Cuidar-se significa dormir bem, alimentar-se adequadamente e realizar algum tipo de exercício físico periodicamente.

Tão importante quanto atender o seu corpo é enriquecer os vínculos com as pessoas que o rodeiam. É importante se relacionar de forma ativa com familiares e amigos ou colegas, não simplesmente por costume. Dedique tempo às pessoas que são importantes para você.

Se você experimenta estados de angústia ou tristeza, seria bom realizar alguma prática de relaxamento. Não se trata de mudar a sua vida para ser como Dalai Lama, e sim de introduzir rotinas físicas que lhe farão muito bem.

O melhor é realizar exercícios de relaxamento que envolvam todo o seu corpo, juntamente com práticas de respiração profunda e controlada. Isto irá equilibrá-lo além de melhorar a sua capacidade de desenvolver os processos criativos.

Ler um bom livro, escrever ensaios curtos sobre o cotidiano, desfrutar de uma peça ou concerto, fotografar o amanhecer ou olhar o céu estrelado através de um telescópio são atitudes que o ajudarão a estimular enormemente a sua inteligência emocional.

Entrar em contato com a natureza não é apenas revitalizante em termos de bem-estar, mas também gera estados de tranquilidade e contemplação, necessários e importantes para o espírito.

Ter passatempos estimulantes aumenta a sua alegria de viver e lhe permite conhecer e interagir com pessoas de idades diversas e mentalidades diferentes.

E logicamente, uma das coisas mais importantes, estar em contato consigo mesmo. Descobrir-se, aceitar-se, superar-se e amar-se. Tarefas fundamentais que servem de sustentação para o resto das atividades e habilidades.

Fonte: https://amenteemaravilhosa.com.br/melhorar-saude-mental/

Falando em amor



Falar em amor é adentrar em terreno arenoso. Andar sobre solo árido.

Não sei se devido os muitos acontecimentos exacerbados de violência, ultimamente se vê e ouve-se muito falar em amor. Não só o amor romântico, mas o amor humano e/ou divino. Amor(es) que encontram-se ou separam-se em algum momento da caminhada. O amor para consigo e para com o outro. 

Na Bíblia, “ o amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta ” (1 Coríntios 13:4-7).

Para o Poeta, “(...) Amor é estado de graça e com amor não se paga. Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários. (...) Porque amor não se troca, não se conjuga, nem se ama. Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo. Amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor” (Carlos Drummond de Andrade).

Para mim, o amor é uma plantinha que precisamos cuidar diariamente. Cotidianamente. Amor de pais e filhos. Amor de irmãos. Amor de família. Amor de amigos. Amor “romântico”, humano. O amor para consigo mesmo. E também, o amor divino (tão necessário e tão frágil). É necessário muito carinho e zelo. Caso contrário, não se firma e se esvai... solto... ao vento.

Muitas vezes nos perdemos nas relações por não sabermos a dosagem do “amar”. Ou amamos demais o outro e nos amamos de menos, ou amamos o outro de menos, por nos amarmos demais. Um grande paradigma da “existência”. 

Quando falo em amar a nós mesmo, não é só o amor narcisista. Mas o amor que me é suficiente e absoluto. Eu me amo tanto, que já me basto. Então não há espaço para amar o outro. Mesmo que o queira, não aprendi a cuidar dessa plantinha. E quando amo tanto o outro que chego a esquecer-me de mim, também deixei de cuidar dessa plantinha, por não saber como fazê-lo.

Tudo precisa ser dosado. Eu amo na mesma medida em que também preciso me amar e ser amada. Quando nos dedicamos demais ao outro, nos anulamos. E quando nos amamos demasiadamente, também nos sabotamos. Todos precisam de “um amor para chamar de seu”. 

Quando se ama de verdade (“e que seja infinito enquanto dure”), dedica-se um tempo àquele que é digno desse amor. Faz-se loucuras (por vezes), cantamos na rua e na chuva, sorrimos por qualquer motivo, queremos estar perto mesmo quando estamos longe. Amamos na mesma proporção que nos amamos. Mas quando o “peso da balança” vai para um lado apenas, esse amor torna-se frágil e perigoso. Alguém sairá machucado. Ferido.

Em qualquer relação é preciso fazer escolhas. Escolhe-se amar ou não. Tenho muitos amigos. Amigos de décadas e amigos de pouco tempo. Mas, amigos (e não, colegas)! Aqueles para tudo, mesmo! Gosto de cuidar dessas plantinhas. Meu jardim lindo e florido. Sou afetiva demais. Amo demais. Insanamente, intensamente... demais! 

Meus amigos me conquistaram e eu os conquistei. Gosto de estar perto de todas as formas e maneiras. “É preciso amar direito, um amor de qualquer jeito(?). Ser amor a qualquer hora, ser amor de corpo inteiro. Amor de dentro pra fora”. Amor de valor. Amor escolhido. Amor amado.

O amor por nós mesmo, perpassa o limiar da razão e da emoção. Em vários momentos das nossas vidas, precisamos nos desconstruir. Desconstruir a nós mesmos. Nossos “valores”, (pré)conceitos, sentimentos confusos e rachados... E nos (re)construirmos. Reconstruirmos o nosso Eu e a nossa “essência”. Dessa forma, somos capazes de amar, amar e amar. Nos desfolhando e nos renovando... Sempre. Dando chance a si e ao outro... Na mesma proporção.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

PENSAR É TRANSGREDIR



"Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos. Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil, nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser servida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido. Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo. Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: 'Parar pra pensar, nem pensar!' O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da TV ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. (...) Sem ter programado, a gente para pra pensar. Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se. Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto. Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida. Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar. Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo. Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos. Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada. Parece fácil: 'escrever a respeito das coisas é fácil', já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado. Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança. Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade. Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for. E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer." 

(Lya Luft)

Encontrei-me em meio às linhas poéticas de Lya Luft.
Eu só quero viver e ser feliz!
E o TAB? Ele não me domina e nem de define. E viva a vida!!!

domingo, 5 de abril de 2020

O Equívoco do "Fulano é Bipolar"




O maior equívoco que as pessoas cometem, é esse. Ter bipolaridade para muitos, é como se a pessoa mudasse de opinião a todo instante ou mesmo, falasse com você um dia e outro não. Quando escuto essas coisas fico muito incomodada. Tenho bipolaridade e sei o que é ter esta condição. Tive três diagnósticos. Fugi dos dois primeiros. Mas quando o terceiro chegou, foi como um soco no estômago. Como assim? Mais uma vez? Precisei parar, pesquisar, conversar sobre... Voltei ao médico. Precisei conhecer mais sobre tudo isso. Percebi, que precisava aceitar a doença e o tratamento. Assim, como, todas as mazelas que o conjunto traz. Mas não foi nada fácil. Sofri muito. Adaptação de medicação, efeitos colaterais, rejeições... Olhava para o meu passado e cada vez mais, via meu transtorno presente nos conflitos da minha vida, desde a mais tenra idade. Eu era "sem pavio". Brigava por qualquer coisa, mas era a rainha do bom humor, também. Mas eu estava decidida a lutar por uma vida melhor e mais feliz. Voltei a fazer terapia, comecei acupuntura para o TAB (o meu médico acupunturista estudou o transtorno na acupuntura e aplica em mim) e entrei para a academia. Lá, na academia, descobri as artes marciais. E foi o despertar de uma grande paixão. O kickboxing. Comecei a treinar intensamente. E fui percebendo, que as mudanças de "pólos" se distanciavam, que a intensidade das crises diminuíam e eu começava a conhecer meus gatilhos. Minha psicóloga chamou minha família para uma conversa e pediu que lhes falassem o que em mim incomodava a cada um. E à medida que relatavam, ela ia explicando qual característica era do transtorno e qual era da minha personalidade. Assim, como também, de que forma lidar comigo em cada fase, o que era especificamente o transtorno e a troca de telefones para as necessidades. Tudo  em casa ficou mais fácil e mais tranquilo. Hoje, consigo ter mais tempo em equilíbrio. Embora os desequilíbrios ainda aconteçam, posso dizer que sou feliz, mesmo na minha situação. Trabalho normalmente e sou respeitada em ambos os ambientes de trabalho. Os colegas têm conhecimento do TAB em mim e me ajudam quando preciso. Alguns já me conhecem tanto, que são capazes de saber o meu humor ao olhar pra mim. Até mesmo os netos, já aprenderam a cuidar da vovó.
Falar em Transtorno Afetivo Bipolar, é saber que eu tenho o transtorno, mas o transtorno não me tem. A Bipolaridade não me define. Sou muito mais que um transtorno.
Não sou bipolar. Eu tenho bipolaridade.

História Real***

Bipolaridade e diagnóstico diferencial



Não é fácil identificar logo a depressão bipolar quando esta se inicia. Os sintomas muitas vezes parecem problemas separados, pelo que dificilmente são reconhecidos como fazendo parte de um problema mais vasto.
Embora por vezes a depressão se apresente com manifestações muito fortes e evidentes, são muito frequentes as manifestações mais moderadas que podem passar despercebidas e que tornam o diagnóstico de bipolaridade num dos mais difíceis e complexos em saúde mental.
Apesar do interesse crescente no transtorno bipolar e do número cada vez maior de pesquisas quer em nível do diagnóstico, da neurobiologia, da epidemiologia e do próprio tratamento, o transtorno bipolar continua a ser tardiamente diagnosticado e inadequadamente tratado. Estima-se que apenas 1 em cada 4 casos sejam diagnosticados.
O transtorno bipolar apresenta sintomas comuns a outras patologias psiquiátricas, o que torna a tarefa difícil. O próprio desenvolvimento do transtorno pode, por vezes, induzir em erro – podemos por exemplo, ter de esperar alguns anos antes de surgir um episódio de mania, pelo que na ausência deste se fará um diagnóstico de depressão unipolar e não, de bipolaridade. Somente nos últimos anos, se tem reconhecido a importância dos quadros de “hipomania” (quadros de mania mitigada, que não se apresentam com a gravidade dos quadros de mania propriamente dita).
De referir ainda que tanto os pacientes como os familiares podem considerar a hipomania como normal, e como tal não a valorizam, confundindo-a.
Em termos de diagnóstico podemos dizer que a mania é o episódio mais característico, sendo também aquele que mais resulta em internamentos agudos em virtude das graves mudanças de comportamento e conduta que provoca. A hipomania – a sua forma mais leve, era praticamente desconhecida pela maioria dos clínicos até pouco tempo, sendo confundida com a normalidade, ou seja, com os traços de personalidade do indivíduo.
A diferenciação entre a depressão bipolar e a depressão unipolar, especialmente quando é recorrente, pode não ser fácil. Há de salientar, contudo, que a diferenciação entre ambas é fundamental, em virtude do tratamento da depressão bipolar incluir necessariamente o uso de estabilizadores de humor, pelo risco de viragem para a fase de mania e da possível intervenção no curso e prognóstico da doença.


ERRATA:  1 - Fizemos a substituição do termo "distúrbio", por depressão ou transtorno.
                 2 - Também foram realizados alguns ajustes ortográficos.

Ter Transtorno Bipolar...



É odiar quem você ama
Maltratá-lo tanto... E se arrepender tão amargamente, como o veneno de uma serpente.

É não saber quem você é, o que realmente quer,
Mesmo que o mundo todo te disser...

É ser tão sábio e tão tolo tão igualmente
Que facilmente o pratica mentalmente.

É não dormir, só dormir
Sorrir e te fazer sorrir.

Se iludir e te persuadir sem você ao menos interferir,
Te ferir e me ferir...

Chorar até as lágrimas secarem
Acordar como se fosse "dono dos sete mares"
É estar bêbada sem frequentar bares...

É ver meus neurônios torrando
É sentir me afogando
E estar só boiando.

É pensar primeiro
Acordar por último
E se sentir sempre um inútil.

Sentir que a solidão habita em você,
Que com você esta todo o poder,
De só querer e acontecer...

É pensar que nunca posso te perder
Pois sem você eu posso perecer.

É ter uma mente tão grande que não cabe no corpo.

Olhar pro teu rosto,
E sentir aquele mesmo gosto
Do desgosto do mês de agosto.

É ser extremamente inteligente... Coerente
Ser tão indiscreto que chega a ser indecente
Ser tão elegante que te deixa ofegante.

É te matar de inveja,
Igual quando o céu troveja,
E atrapalha quem veleja.

É ser tão carente,
Que sem perceber de repente,
Acabo me achegando a “Dementes”.

É ser tão ausente
Até ser transparente...

É não ter nenhuma confidente,
Para dizer que estou
Extremamente doente.



Tratamento TAB


Para a pessoa com TAB (Transtorno Afetivo Bipolar), é necessário que haja um autoconhecimento e o conhecimento do TAB. E, isso só é possível, quando seguimos o tratamento e buscamos conhecer o TAB de forma verdadeira e o melhor possível. Procurei livros escritos por psiquiatra, o qual destaco UMA MENTE INQUIETA de KAY REDFIELD JAMISON, cuja narrativa descreve  toda a sua luta no conhecimento da bipolaridade, como seu autoconhecimento enquanto psicóloga/psiquiatra e como pessoa com bipolaridade. Uma narrativa linda, sofrida e permeada de descobertas. Sua importante contribuição nas pesquisas do lítio e suas estratégias ao criar um ambulatório para a patologia, dentro de uma importante universidade. Simplesmente, imperdível. Os artigos científicos e blogs médicos, também ajudam de forma imensurável.


Eu, criança!



Que EU nunca perca de mim, a menina moleca e alegre que me (re)conquistou.

Criança

  


A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou.
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

(Fernando Pessoa)
Imagens da Internet

sábado, 4 de abril de 2020

Ela...


Ela é
liberdade.
O voo de uma borboleta
na primavera.
E as suas cicatrizes
são a prova da resistência
de toda fênix que
renasce da guerra.

Da Silva Jr -
@umaflorparaela
(Poema)

O melhor da vida é viver!!


Viver e ser feliz, sem preocupar-se com o que dizem ou pensam os outros.
Viver sentindo o toque da brisa mais suave, a mais bela das melodias, o mais inebriante dos aromas, o mais puro sorriso das crianças, o melhor de todos os desejos... viver a plenitude dada por Deus.
"Viver e não ter a vergonha de ser feliz"...
Simples assim!!
Quero viver o que me foi ofertado gratuitamente por Deus.
Afinal, "dane-se o mundo que eu não me chamo Raimundo!" (risos)
Ter opinião não é ser dono da verdade absoluta. É pensar, opinar, concordar, discordar, "refletir" acerca daquilo tudo que o rodeia. É viver de forma plena, a sua liberdade!
Viva e deixe viver!

30 de março - Dia Mundial do Transtorno Bipolar





🙃☹😊
Dia Mundial do Transtorno Bipolar
☹🙃
A data é celebrada no dia do aniversário do pintor holandês Vincent Van Gogh, que foi diagnosticado, postumamente, como provável portador do transtorno. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno afetivo bipolar atinge atualmente cerca de 140 milhões de pessoas no mundo e é considerada uma das principais causas de incapacidade. 
O objetivo da celebração é chamar a atenção mundial para os transtornos bipolares, eliminar o estigma social e levar informação à população, educando e sensibilizando para a doença, que representa um desafio significativo para pacientes, profissionais de saúde, familiares e comunidade.
A causa exata do transtorno afetivo bipolar é desconhecida. No entanto, estudos sugerem que o problema pode estar associado a alterações em certas áreas do cérebro e nos níveis de vários neurotransmissores, como noradrenalina e serotonina. Esse desequilíbrio reflete uma base genética ou hereditária para o transtorno, que tem como principais características episódios depressivos alternados com episódios de euforia (também chamada de mania ou hipomania, dependendo da intensidade e da duração) e casos em que há uma mescla dos episódios depressivos com os de euforia.